16 outubro 2014

Fluorescent Adolescent: 15 Anos, 11 Meses e 100 Sentidos

Existe uma grande e catastrófica diferença entre a Isabella da sétima série e a Isabella do primeiro ano do ensino médio. 

Se você está pela fase da sétima série, eu começo essa carta dizendo que sinto muito. Sinto muito se o ensino fundamental parece inútil e sinto muito se ele tá passando muito devagar. Ou muito rápido. Sinto muito se você já teve mais de dez fases diferentes só nesse último ano.
Eu sinto muito por tudo isso por já ter sido isso.




Quando tu tá na sétima, sexta, oitava série... Ninguém espera nada de ti. Só o que querem é que tu chegue no ensino médio. Tua única função é fazer parte de uma fase que parece só te preparar para uma outra que dá ilusão de estar distante pra caramba.
Isso me fez um efeito colateral tão esquisito que só fui entender dois anos depois.
Se formos colocar numa maneira geral, é a pré adolescência. Ninguém espera que tu mude o mundo. Ninguém acha que você vai ser a mais legal da festa, ninguém acha que você pode ter um futuro brilhante e ninguém acha que você pode ser o fator x.
Então sim, admito:o fundamental era mais sem esperança do que o ensino médio. 
Nesse ritmo foi quase impossível encontrar a mim mesma. Foi a fase de ser uma pessoa por dia.
Mas aí eu fiz 15 anos.




No ensino médio, eles esperam de ti. Eles querem que tu passe em primeiro lugar na federal, que tu ganhe bolsa na particular. Eles querem que tu seja aquele que participa e, no momento que tu participa da "bolha de preparação pro vestibular", tu vira alguém. E essa história de virar alguém te faz sentir... alguém. 
Mas tu tem 16 anos e não é de livro de biologia que tu vive. É de biologia prática e ao extremo que tu deve te alimentar.
O tempo vai passando numa velocidade assustadora e tu te preocupa com o pensamento "mas eaí, eu to construindo as histórias que vão, um dia, resumir a minha adolescência? O que vou contar pros meus filhos? O que vai ser de tudo isso"
E essa nóia se transforma numa obrigação de ser a que faz parte da festa, a que faz a festa, a que é a festa. Mas é nessa festa que tu descobre quem tu é, resolvendo todo o problema que tu criou há dois anos atrás. É indo a mil e uma dessas festas realmente similares que tu descobre que o que tá fazendo a diferença em cada uma delas é o que tu tá fazendo contigo mesma.
Então não interessa se tu tá passando a manhã numa sala de aula do ensino médio e a noite sendo carregada pra casa. Não interessa se tu foi a estraga prazeres, a certinha, a atirada. Interessa que tu sabe que é aquilo o que tu realmente é. Pelo menos por enquanto, pelo menos por agora. Pelo menos enquanto estamos construindo as histórias da nossa adolescência. 




Só não perde teu tempo. Ser outra pessoa é perda tempo quando só se está fazendo isso para segurar quem tu realmente é dentro de ti.

Então com licença, adolescentes em progresso.

Sempre,
A Tulista do ensino médio
Não da sétima série.

3 comentários:

  1. que lindo bella! você me inspira! ;)

    ResponderExcluir
  2. Olá Bella, gostaríamos de saber onde você compra suas roupas, são lindas.

    ResponderExcluir
  3. Agora que tu fez aniversário a data vai ser como? 15 anos mais um?

    ResponderExcluir

Vale rir, chorar e opinar.