25 junho 2014

Fluorescent Adolescent: 15 Anos, 7 meses e 9 dias

Uma carta sobre saudades.

Saudades de ver alguém pela manhã, ou do cheiro de um perfume. O cheiro de um abraço ou de um momento. O cheiro de alguém. Saudades de sentir o toque de alguém, ou apenas de poder tocá-lo. De sua série favorita que foi cancelada no meio de uma temporada. De alguém que está fisicamente do seu lado e espiritualmente em seu oposto. Saudades de ter tempo ou de saber do que o mesmo é feito. Saudades do teu antigo corte de cabelo ou da sua viagem dos sonhos. Saudades dos teus sonhos. Saudades do verão, do sol e do apartamento de praia. Saudades de quando você ainda tinha que impressionar alguém ou de quando você pelo menos tinha algumas armas para isso.
Mil e um tipos de saudades, e nenhuma delas traz algo de volta. Ou alguém.





Têm dias que ele nem vem à tona, não é mesmo? Já tem dias que se resumem à isso. Aí se transformam em semanas, depois meses. Logo, esses dias são todos e permanecem no que parece para sempre.
É quase como quando tu prova um novo sabor de Ruffles e se apaixona: faz dele o seu predileto e passa a comer dois pacotes por dia. Mas aí os dias se passam e logo só de ouvir o nome, já dói.

Sabe, quando a falta de alguém é tão presente, que se torna tua rotina. Se torna um sentimento que toma conta de ti, e isso é o suficiente para se confortar e se acomodar. Viver com essa saudade chega a se tornar até suportável, pelo fato desse gigante sentimento, que quase te corrói, ser a sua única realidade. Ela é apenas dividida com o seu mínimo de esperança. Aquela esperança que seus pais lhe ensinaram a, no mínimo, guardar em si.




Aí acontece de entrar algo ou alguém na tua vida. Aquilo ou aquele que consegue fazer o dia amanhecer mais cedo e a vida clarear sem medo. Uma sensação boa que te vem, e faz com que você perceba que nunca mais havia se sentido desse jeito. Uma coisa boa dentro de ti, que chega sem anúncios nem cerimônia.
Mas aí, o teu pedacinho de luz vai embora, e você cava seu buraco novamente. E a dor é maior. Toda a sua resistência volta a estaca 0, e toda a barreira que construíste já está ao chão. Você se desacostumou com uma dor que agora volta a ser teu único sentido. E então tu cai.

E você luta, luta e luta. Dá tudo de ti, mas, no final, percebe que foste fraca, por deixar com que sua única arma para a luta seja, simplesmente, a sua saudade. 

Não deixe que tome conta.
Não deixe que seja única.

Sempre sentindo,
A Tulista.


Um comentário:

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