11 maio 2014

Fluorescent Adolescent: 15 Anos e 5 Saudades De 5 Primeiras Vezes

No som de: Corinne Bailey Rae, full album

Em tempos difíceis, um sorriso é ouro

Tá aí o lado bom de dias de crise com a vida: quando algo pequeno e bom acontece, já vale a pena. Foi isso que eu pensei hoje pela tarde, quando encontrei uma caixa de fotografias antigas em cima da mesa da varanda aqui de casa. Tinha fotos do meu primeiro aninho, da primeira vez que fui aia de um casamento e do meu aniversário de 10 anos. Tanta coisa que parecia outra vida. E não era?
Esse momento nostalgia acabou sendo um bom exercício para esquecer os demais desse final de semana, mas isso já é outra história.

Na minha história de vida, existem várias saudades. Umas boas, e outras ruins. Sim, eu tenho saudades de momentos que, na época, eu só queria que acabassem. Tenho saudade de tudo.




A minha primeira saudade é do meu primeiro dia de aula na minha escola atual.
Era o ano de 2006 eu estava com 7 anos, 3 meses e alguns dias.

Primeira série, primeira mochila de rodinha e primeira cola bastão. Coisa de gente grande.
Lembro de chegar no Mellinho, minha mãe tirando mil e uma fotos - porque nunca encontrei essas fotos? - e eu todo faceira com meu cabelo solto porém com uma trancinha na franja, que terminava com um rabicó grande e chamativo da Barbie. Passei ansiosa pelos corredores daquela escola que parecia gigante.
Sabe aqueles momentos que tu deseja poder voltar e contar a ti mesma tudo o que ainda vai acontecer? Eu queria voltar para esse dia e prestar mais atenção nos meus colegas. Metade deles, são meus colegas até hoje. Queria ter dito pra mim mesma que não era necessário brigar tanto com a Rafaela ou me preocupar com minhas briguinhas com o Ramon. Viu só, hoje até nomes eu cito. Queria ter dito que eu ia viver de tudo naquela escola. Que ainda seria ali que eu conheceria pessoas que mudariam não só meu dia, mas minha vida. Que eu gabaritaria as provas de Inglês e jamais fosse acima da média em Física. Iria avisar a mim mesma que tudo chega no tempo certo, até mesmo as amizades.




A minha segunda saudade é da primeira vez que dormi na minha casa nova.
Outubro de 2009, com 10 quase 11 anos de idade.

É uma saudade estranha, pois não tenho certeza de querer reviver esse momento.
Acontece que a "casa dos Queiroz" foi o sonho da vida da minha família por, bem, toda a vida. Mudar do apartamento no centro da cidade para a casa com pé direito alto e quintal de sobra era algo bastante esperado. Esperado o suficiente para me fazer vomitar.
No sentido literal. No dia da mudança, tudo foi meio bagunçado. Para começar, com as roupas encaixotas, tive de ir para a aula com uma calça jeans com desenhos de corações rosas, do tamanho de um palmo. Um luxo. Tudo piorou quando, antes de finalmente irmos para a casa, eu estava na aula de ballet quando eu vomitei. Pensa numa pessoa ansiosa o suficiente para fazer toda essa cena.
Finalmente chegando na nova casa, deitei na cama do meu quarto - leia-se: box de colchão ainda no plástico no centro de uma suíte que só armário tinha. e ah, poeira e cheiro de tinta - e dormi. Era um carrega caixa pra cá e leva móvel pra lá, mas tudo o o que eu fiz foi deitar naquela cama. Na mesma noite, quando fomos "jantar" no meio da sala bagunçada, eu não comi. Eu estava realmente doente e tudo isso por ansiedade. Qual é meu problema com essa euforia eim?!
Mesmo assim, é um dia que eu gostaria de ASSISTIR. Eu mal imaginava como a casa nova mudaria minha vida. Mal imaginava que ela seria o ponto de encontro de todos meus amigos, a sede de festas e noites de pijamas forever. Um lugar cheio de amor que meus pais construíram com energia positiva.




A minha terceira saudade é da primeira vez que eu tentei ser quem eu não era.
De 2010 a 2012, tipo antes de eu fazer 13 anos.

Acho que essa é a única fase da minha vida que eu queria poder voltar e fazer um pouco diferente.
Não sou muito de me arrepender. Se deu brét deu brét porque era pra dar brét. Acho que cada acontecimento tem seu motivo e sua volta, e sou sempre a amiga que fala "era, ou não, pra acontecer, relaxa". Mas, se eu tivesse a chance de mudar alguma coisa, seria essa minha época dos 12 anos, mais ou menos.
Eu tinha recém cortado meu cabelo mais curto, abandonando o comprimento até a metade das costas. Para um criança, eu falava bastante palavrão. Não gostava de rosa, ainda não tinha dado meu primeiro beijo e, o que mais me deixa bolada, eu não passava 2 minutos sem falar mal de alguém. Hoje em dia, eu não consigo dormir à noite se faço um comentário do tipo e, se faço, faço a mesma quantidade de elogios sinceros. Eu me sinto mal quando ninguém vê e aponta nada de bom em mim, então comecei a praticar o ato de valorizar mais as qualidade dos outros. Trate o próximo como você deseja ser tratado, não é mesmo?




A minha quarta saudade é da minhas primeiras maiores amizades.
2012, 13 anos de idade.

Foi quando larguei minha fase sombria e passei para uma pessoa que excedia os limites de felicidade.
Nesse ano, eu já era amiga das minhas 2 melhores amigas, e isso trouxe muita coisa boa. Elas são tudo, e isso eu já falei mil vezes.
Eu era a pessoa mais ativa que eu conhecia. Não conseguia passar nem mesmo 1 minuto em casa, e jamais imaginaria que eu me transformaria numa pessoa que não vê problema em passar a tarde de sol assistindo séries no quarto.
Sexta-feira era meu dia favorito. Para o almoço, eu encontrava todas as minhas amigas em algum restaurante. Era engraçado pois sempre éramos em, tipo, 10 pessoas, e fazíamos a maior bagunça. Depois disso, passávamos no mercado, comprávamos salgadinhos e refrigerante, a passávamos a tarde na minha casa. Assistíamos filmes de terror, dançávamos e fofocávamos. A melhor parte? Ainda não éramos viciadas em celulares e afins. Ficávamos ali, jogadas pela sala, apenas com a nossa companhia como base. No final do dia, sempre acabávamos indo para uma festa juntas, ou pelo menos fazendo um noite do pijama improvisada. E a partir daí não desgrudávamos o resto do final de semana.
No último feriado, fizemos uma jantinha, eu e essas meninas. Continuamos amigas e acho que isso não vai mudar, mas coooomo eu sinto falta dessa época que tempo para ficarmos juntinhas não faltava.




A minha quinta saudade é do meu primeiro dia com 15 anos.
Minha festa de 15, 15 de novembro de 2013, 15 anos (dã).

Tenho que explicar? Já falei tanto tanto tanto desse dia que acho que ninguém aguenta mais.
Antes da data esperada por anos, eu imaginava que eu iria sentir falta de ter todo mundo por perto. De todo mundo estar ao meu lado, feliz por mim e feliz pela mesma coisa que eu. Mas foi só na época pós-festa que eu descobri que isso eu vou ter sempre, então deixei de ficar preocupada.
Mas do que eu sinto saudades é de realmente aquilo ter sido um rito de passagem. Eu não fazia ideia de tudo oque aquela noite iria um dia significar pra mim. Mas, no momento em que o portão se abriu, minha música começou a tocar e todo mundo a me olhar, foi incrível. Eu senti apenas um garotinha tendo sua noite de princesa. Simples, mágico e real. E é assim que deve ser. Era como se tudo fosse em câmera lenta, e toda vez que eu lembro eu me emociono.
Já se passaram 6 meses, o que é incrível. Em 2 meses, já é minha viagem dos 15 anos. Eu lembro que, na época da festa, eu e minhas amigas falávamos "o bom é que depois da festa ainda tem nossa viagem!". 3 semanas, NY, Disney e Miami, em julho desse ano, com as minhas melhores amigas. Ta aí uma coisa que vai entrar na lista da saudade!




Sinto saudades de olhares, sorrisos e cheiros. Sinto saudades dos meus primeiros amores e primeiras dores. Do show do Mallu Magalhães, da minha viagem das oitavas. Saudades de quem não tá por perto e de quem eu já quis por perto.

Sempre, em qualquer ano e fase,
A Tulista.



Um comentário:

  1. Eu simplesmente amo ler tuas postagens de Fluorescent Adolescent <3

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