01 fevereiro 2014

Fluorescent Adolescent: 15 Anos, 2 Meses e 16 dias.

Há 3 dias atrás, recebi um e-mail de uma tulista de 10 anos:
"Bella, eu queria saber a sua opinião sobre o mundo adolescente. Sei que tu já teve minha idade e queria saber como está sendo ter 15 anos"
Pronto, me deram a oportunidade, agora vou falar:

A professora da primeira série, a vizinha do oitavo andar e a paixão da sala ao lado.
Pessoas e momentos que te cortaram fundo, sangraram e cicatrizaram lentamente. Te amassaram e te moldaram.

A sua blusa favorita já não serve mais, você se pergunta porque comprou um par de patins e não gosta mais tanto assim de Mc Donalds.
Começa a entender o que suas tias queriam dizer com "vai, come chocolate enquanto tu ainda pode" e tenta esquecer seus experimentos em cortes de cabelo.
Se arrepende de ter tirado as casquinhas dos machucados, que agora são inúmeras manchas espelhadas pelo corpo, e se arrepende de ter esquecido algumas pessoas ao longo do caminho.






Você descobre que "do pé que brotou maria nem margarida nasceu" não se passa da história melancólica do cantor que perdeu a esposa grávida e que "would you know my name if I saw you in heaven" é o lado mais triste de Clapton.
A cegonha não traz os bebês, papai noel não existe e a fada do dente é pobre. É perigoso confiar nas pessoas, ninguém é perfeito e as pontas do seu cabelo sempre serão duplas.
O menino dos olhos castanhos vai chamar muitas outras meninas de "princesa" e muita gente vai querer te ver cair.


Sua letra não é mais bonita, você sempre vai se esquecer como se escreve "exceção" e justo essa palavra vai cair no primeiro ditado de português com a professora nova.
Você vai chegar no ensino médio e vai perceber que não está com o 1,70 de altura que imaginava.Você entende que o "vamos viver sem pensar nas consequências" serve para todos, mas dentro do estilo, conceito e vontade de cada um.


Mas, mesmo assim, você ainda vai ter todos os episódios da sua série favorita para assistir online, ainda vai ser permitido dormir abraçadinha com seu bichinho de pelúcia e você não vai ser cafona se deitar no colo de seu pai antes do dormir. Não vai pegar mal você pedir para sua mãe te cobrir na cama, não tem problema você ter uma paixão platônica por alguém que já foi capa da Capricho e não é estranho você ainda ter medo de escuro.
Não é loucura você se sentir bem só por ter como amiga, justamente, a sua melhor amiga e não é antiquado você preferir passar a noite lendo revistas do que ir à festas com todo o pessoal, e vice versa.






Não se sinta culpada ao chorar por algum gurizinho que "partiu seu coração" e não se mutile por ter feito um garoto se apaixonar por você só pelo fato de estar carente e, depois, ver que foi burrice. Não tema todas essas coisinhas só porque alguma prima mais velha lhe disse "um dia tu vais ver que tudo isso era insignificante", pois a prima-conselheira-de-tudo está a dizer isso pois passou pelo o que você está passando. São fases da vida que não precisamos pular.
Ouça tuas músicas bobas, fique sem graça na presença do seu flerte e passe muitas noites acordada com suas melhores amigas.


Use todo esse mundo padronizado para construir você mesma. Esqueça essa competição de "quem é mais maduro e alternativo" e se crie e recrie.
Um passo de cada vez.


Sempre sendo a chata que leva tudo muito a sério,
A Tulista. 

4 comentários:

  1. Esse post ficou P E R F E I T O, como todos!

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  2. Legal!!!!! Os anos passam e sabemos que as historias se repetem em cada nova adolescente. Parabens pelo texto. Silvana

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Vale rir, chorar e opinar.